Problemas psicológicos também ocasionam má gestão financeira; raiz está na incapacidade em lidar com adversidades
Antes mesmo de receber o pagamento, o contracheque já está mais do que comprometido. O número de contas para pagar só aumenta. Atormentadas pelas dificuldades em saldar compromissos e manter uns trocados no final do mês, muitas pessoas até se que se esforçam na busca por uma solução e tentam economizar ao máximo para saírem do vermelho.
Mas fechar a torneira não basta, já que os obstáculos enfrentados para salvar o orçamento transcendem aspectos meramente monetários. Elas podem estar ligadas, também, a transtornos psicológicos. A avaliação faz parte de conclusões de pesquisadores ligados a um campo de estudos ainda pouco divulgado no País, mas com difusão secular na Europa e Estados Unidos, a psicologia econômica.
De acordo com os estudiosos da área (que investiga o comportamento econômico do indivíduo e grupos) problemas emocionais como depressão e até traumas influenciam diretamente na má utilização financeira do indivíduo.
A psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira explica que a raiz emocional da dificuldade em manter as finanças em ordem estaria ligada tanto à necessidade de consumo gerada pela incapacidade emocional do indivíduo em lidar com frustrações quanto a fatores cognitivos que vêm desde a infância.
“Acima de tudo, ocorre pela incapacidade emocional de lidar com adversidades”, pontua Vera Rita.
“Quem não agüenta a sensação de não estar completo, por assim dizer, sai atrás de ilusões, de consumo excessivo. Isso ocorre até no mercado financeiro”, acentua. “A compra, em muitos casos, é associada ao prazer. Quando a pessoa está descompensada com algo, buscará mais alguma forma de bem estar”, salienta Marcela Vendramini Morato Velosa, psicóloga e professora de psicologia do consumidor nos cursos de comunicação da Universidade Paulista (Unip), em Bauru. “A publicidade usa muito a associação do prazer aos produtos”, completa. “É igual a quem come compulsivamente, por necessidade de prazer”, compara Marcela.
“O mais comum é a relação com problemas emocionais. Mas também pode se relacionar a problemas cognitivos, no sentido de falta de informações ou excesso”, continua a psicanalista Vera. “Traumas e depressão são alguns aspectos também”, observa. “Mas o principal é o fato da emoção e razão estarem sempre interligadas, indissociáveis”, salienta.