Não é novidade a relação entre a depressão e as alterações sexuais, como a diminuição da libido.
Uma pesquisa americana revelou que cerca de 30% das mulheres e 17% dos homens, entre 18 a 59 anos de idade, tiveram uma diminuição do interesse sexual naquele ano. Porém, pessoas com problemas depressivos ou distúrbios de humor bipolar têm tais índices ainda maiores.
Outro estudo feito com pacientes deprimidos demonstrou que mais de 70% deles tinham diminuição de libido sendo esse um dos piores sintomas do distúrbio.
Ainda, outro estudo demonstrou um aumento na prevalência de distúrbios afetivos em pessoas com desejo sexual reprimido.
No intuito de se definir uma conduta mais objetiva nessas situações, os Drs. Robert L. Phillips e James R. Slaughter, da Escola de Medicina da Universidade de Columbia – EUA, desenvolveram um estudo a respeito do tratamento e da abordagem da depressão relacionada com diminuição do desejo sexual.
Um resumo desse estudo foi publicado na revista médica American Family Physician deste ano e será mostrado a seguir.
O Estudo
Percebe-se que um importante fator de dificuldade diagnóstica é o não questionamento dos médicos sobre tais problemas. Num estudo com pacientes em uso de um antidepressivo específico, houve uma chance quatro vezes maior dos pacientes falarem sobre problemas sexuais se indagados pelos médicos.
Antes, durante e depois do tratamento
Antes de iniciar o tratamento para a depressão é essencial que o médico fique atento as funções sexuais do paciente, pois assim ele pode perceber com maior facilidade, alterações na função sexual após o início da terapia medicamentosa.
Todas as pessoas que vão ser tratadas e que obtêm uma melhora da depressão após o tratamento, mas que mantém as alterações sexuais devem expor ao médico as seguintes informações, caso sejam elas verdadeiras: uso de outras medicações, contraceptivos orais hormonais, reposição hormonal, fatores estressantes, uso de álcool e drogas ilícitas.
Mesmo melhorando o quadro depressivo, alguns medicamentos podem levar a diminuição da libido. Em um estudo, cerca de metade dos pacientes relataram tais alterações quando utilizando um grupo específico de drogas (Fluoxetina, Paroxetina, Fluvoxamina, Celexa e Sertralina).
Quando a libido continua diminuída mesmo com o tratamento do processo depressivo, pode-se tentar uma diminuição da dose do antidepressivo utilizado.
Conclusão
Diante de um quadro depressivo, seja ele devido a distúrbios sexuais ou o oposto, diversas abordagens podem ser propostas de acordo com cada caso e com a experiência do médico ou terapeuta em questão, antes que sejam indicados medicamentos antidepressivos.
Os antidepressivos podem agir, muitas vezes, como aliviadores de sintomas, não agindo na raiz do problema, que assim, pode retornar com diversos outros sintomas. É importante que os médicos interpretem o quadro depressivo como um todo, colocando-o dentro da história de vida da pessoa. Somente dessa forma, poderá ele, diferenciar uma depressão reacional a situações estressantes, de uma doença mais grave e que necessitará de uma intervenção mais proeminente.